Faixa a faixa: "Nheengatu", Titãs

Deixando um pouco de lado as músicas estilo trilha sonora de novela das 9, Titãs lança o seu 18º álbum numa temática que relembra aos fãs da banda o espetacular Cabeça Dinossauro.


Talvez inspirados pelas manifestações populares que ocorreram no ano passado, Paulo Miklos, Tony Bellotto, Sérgio Britto e Branco Mello criaram um álbum que transpõe a verdadeira identidade do Titãs. Nheengatu (língua geral, em Tupi-Guarani) é composto por 14 faixas que denunciam realidades que carregamos desde Brasil Colônia. 

Tracklist:
1. Fardado
2. Mensageiro da Desgraça
3. República dos Bananas
4. Fala, Renata
5. Cadáver Sobre Cadáver
6. Canalha
7. Pedofilia
8. Chegada ao Brasil (Terra à Vista)
9. Eu Me Sinto Bem
10. Flores Para Ela
11. Não Pode
12. Senhor
13. Baião de Dois
14. Quem São os Animais?


Fardado: nada melhor que começar o disco com um belo soco na cara de autoridades. Já estamos cansados de ver o descaso que os policiais tem com a população, "você também é explorado" diz o primeiro verso da música que foi escolhida para ser o single abre alas do Nheengatu.



Mensageiro da Desgraça: acredito que da maneira que as coisas tem se rumado, todos nós somos mensageiros da desgraça. "Cansei da fome, e do crack, da miséria e da cachaça". É denunciado elementos presentes em nossa sociedade atual, como mendigos sendo queimados e a esperança cega de um dia resolver todos esses problemas sociais.



República dos Bananas: substituiria facilmente "bananas" por "coxinhas". “Calúnias sociais / Seus tipos bacanas / Bundas e caras / Da República dos Bananas”, são traçados, de forma irônica, esteriótipos de diferentes pessoas  que habitam nosso Brazilzão. 



Fala, Renata: estamos num momento que essa música se encaixa perfeitamente. É tão constante ver pessoas nas redes sociais querendo ter a razão com argumentos sem base. "Pelos cotovelos fala sem pensar". Aprofundando, existe até uma menção ao famoso “cala boca” do rei Juan Carlos, da Espanha, dirigido ao então presidente da Venezuela, Hugo Chavez, em 2007. 



Cadáver Sobre Cadáver: analogia bem elaborada sobre morrer e viver. Não importa se durante a vida viveu bem ou mal, um dia essa pessoa morrerá e se transformará em um cadáver sobre outro cadáver. "Cadáver sobre cadáver / Cadáver sobre cadáver / Quem vive sobrevive / Quem vive sobrevive / Quem vive sobre / Cadáver sobre cadáver / Cadáver sobre cadáver". Portanto, não se esqueça: todo dia você sobrevive.



Canalha: chegando na metade da obra, aparece Canalha, uma regravação de Walter Franco. "É uma dor canalha que te dilacera", a música com uma sonoridade mais pesada serve de introdução para a que vem a seguir.


Pedofilia: pode ser considerada a mais pesada do álbum, não só pela melodia mas também pelo tema adotado, que muitas vezes é camuflado MAS dessa vez Titãs viu que era necessário criar uma música onde fosse mostrado o lado da vítima e o lado do agressor.


Chegada ao Brasil (Terra à Vista): uma abordagem cômica de como tudo começou para o Brasil. 
"Será que mudou o rumo? / E agora vamos para as Índias". Nesta e na próxima faixa veremos uma forte referencia ao rock dos anos 80.


Eu Me Sinto Bem: é narrado a atual situação de um personagem que se sente bem por não ter nada para fazer aonde está ou vai. Com uma pitada de ska, é possível ver como se sente uma pessoa que não se importa com os demais problemas já denunciados até o momento.


Flores Para Ela: com um nome aparentemente romântico, é mostrado outro tema polemico: a agressão que a mulher sofre de seu companheiro. "Mata e leva flores / Mata e morre de amores". Muitas vezes o homem que faz loucuras por amor pode ser o que futuramente fará loucuras nela.


Não Pode: uma música com todas as negações que recebemos diariamente. 


Senhor: faltando duas faixas para o fim do álbum o que faltava era uma música criticando o fanatismo religioso. "O pão nosso de cada dia / Me dê de graça / Assim na terra como no céu". Diferente de Igreja, onde eles cantam todo o ódio sobre a igreja e seus constituintes, em Senhor é criado uma oração, com preses que contem o tipico comportamento de religiosos.


Baião De Dois: inspirada em Cartola e Pixinguinha, a faixa seria uma breve homenagem aos elementos musicais populares do Brasil.


Quem São Os Animais: para encerrar o álbum é escolhido uma música sobre as minorias reprimidas pelos padrões impostos pela sociedade. "Você tem que respeitar o direito de escolher livremente /... / Você tem que respeitar o direito de ser diferente". Aí fica a pergunta, quem são os animais? Os que julgam ou os que são julgados? Para reforçar a banda ainda diz "ninguém diz, ninguém fala por você".


Nheengatu é a prova viva de que uma banda pode sim viajar durante os anos por diversas sonoridades musicais e ainda assim conseguir, quando quiser, voltar as raízes. Com pouco mais de 35 minutos, é um cd de audição obrigatória para quem gosta de rock. 

Comente com o Facebook: