SINCROIZE: Marcelo Perdido

Mais um Sincronize saiu em colaboração as Noites Café Com Leche! Dessa vez, conversamos com o Marcelo Perdido sobre o seu primeiro disco solo. Conversamos também sobre a sua decisão de sair da sua antiga banda, a Hidrocor e seguir a carreira solo. Acompanhe logo abaixo a entrevista, e como de costume, o áudio está disponível no final do post.


 Nas redes sociais você se denomina "um cachorro pequeno", por quê?
R: Na internet as pessoas começam a fazer música e já se comparam a coisas que já estavam rolando e isso cria uma expectativa muito grande na cabeça do artista que as vezes atrapalha o processo. Sobe as expectativas e quanto maior a expectativa, maior a frustração se essa expectativa não se realizar. Não da para se comparar a pessoas que já estão a muito mais tempo ou que tem uma trajetória mais facilitada, ou por sorte, ou por talento ou por oportunidades, então eu digo que sou um cachorro pequeno porque sei o meu tamanho perto de outros músicos.

 Como que foi a decisão de sair da banda e começar uma carreira solo?
R: A Hidrocor, que era a banda antiga que eu tinha, falava de coisas mais relacionadas a final de adolescência, ela era uma banda mais jovem e num determinado momento a gente se viu presso nessa temática e eu cresci um pouco, fiquei mais velho e não conseguia mais defender aquelas músicas que eu gosto mas não eram mais eu e ao mesmo tempo, o Rodrigo que era meu par na Hidrocor, ele tem outra banda que é a Bazar Pompola e ele trabalha e a gente decidiu focar menos na música e eu já tinha as músicas do Lenhador na cabeça e eu não queria lançar como Hidrocor, pensei até em dar pra alguém gravar, depois de um tempo decidi eu mesmo gravar.



 E como tem sido estar em carreira solo? Você vê alguma diferença?
R: É diferente porque todas as decisões são minhas, pro bem e pro mal. As decisões de tocar em algum lugar, fazer tal divulgação, antes era mais difícil marcar com banda. Hoje com carreira solo vou nos dias que eu posso e chamo os amigos que estão disponíveis naquela data, não tem mais uma obrigatoriedade que é uma banda e nem sempre é a mesma formação, dependendo do lugar a gente toca em 4, 5, 6, 7, já tocamos em 3, já toquei sozinho, só voz e violão. E era isso que eu estava precisando, tirar um pouco o stress, porque banda é um pouco estressante, as decisões tomadas juntos, tem que sempre passar por todos e isso acaba dificultando a forma que eu queria levar as coisas.


 Quando começou a preparar o cd, você pre-estimulou algum conceitou ou deixou rolar?
R: Não, eu já sabia que as minhas musicas, eu, cara limpa, elas seriam mais ou menos um estudo, parece presunçoso, parece bobo mas elas falariam da nossa geração de um jeito mais confessional, mais de histórias. Você vê que ele é bem contido no instrumental, mais um cd de voz e violão e em algumas músicas vão aparecendo os instrumentos porque eu queria que fosse um cd com essa forma de contar historias e eu tinha esse conceito do primeiro cd que ele fosse com essa pergunta: "O que a gente está fazendo com a nossa vida?" Porque quando veio a ideia do Lenhador, se você pensar nos dias de hoje ele é uma pessoa que tem uma profissão importante mas ele meio que da uma arregaçada no meio ambiente então era uma coisa meio dúbia, meio ambígua porque precisava cortar lenha mas fazia mal e eu acredito que algumas pessoas sentiam isso, outras não ligavam mas muitos sentiam. E é uma metáfora, tem muita gente que vive profissões assim. Então todas asmúsicas giram em torno dessa pergunta, que é um pouco sobre emprego, um pouco sobre amor, um pouco sobre onde você mora.

 E como foi o processo de produção e gravação?
R: Como todo disco independente é lento, eu fui fazendo por etapas. Primeiro mostrei todas as musicas pra um dos produtores, o Felipe Parra que cuidou da parte aqui de São Paulo e ai a gente dividiu um pouco as músicas, qual tinha mais a cara do Felipe, qual tinha a cara do João e a gente foi gravando ao poucos, então foi um processo longo de quase 8 meses para conseguir concluir tudo então foi um processo gostoso, porque eu acho importante esse cd demorar pra sair porque eu queria entender ainda como que eu queria me expor.  Da primeira conversa ate o jeito que o cd saiu as cosias mudaram bastante na minha cabeça e fui me entendeu melhor. No inicio eu queria só voz e violão, batia o pé firme mas o Felipe dizia que tal coisa e ficar bonito.



 Há alguma música mais especial?
R: Talvez a minha música favorita, eu já escrevi pensando na Laura cantando, Sacole. É uma música muito especial para mim, é uma música que fala sobre, é muito estranho falar sobre o que a música fala mas ela mesmo não parecendo fala sobre morte, sobre tentar aproveitar a vida enquanto você tá vido e me completa como artista porque eu me vejo como compositor e não como cantor. Quando ela entra no repertório, eu me sinto meio que "nossa to cantando a música da Laura", mesmo ela sendo no meu tom,  a Laura conseguiu cantar, não parece que ela é minha mais, por ela ter acontecido do jeito que eu imaginei. Geralmente quando se compõe pensando em alguma pessoa cantando, muitas vezes não rola da pessoa cantar, então foi demais a Laura ter topado. 

 Você acha que a mensagem que você quis passar com o Lenhador foi aceita pelas pessoas?
R: Acho que sim, muita gente gostou do disco. As vezes eu acho que as pessoas não se atentam a entender a mensagem do disco, elas só curtem a vibe, a energia das músicas. Hoje em dia eu vejo as pessoas consumindo a música não pelo disco inteiro, mas meio que faixa a faixa. Eu já li coisas bacas a respeito do disco que as pessoas postaram, então eu acho que foi bem aceito.


 A parte visual do seu trabalho é você que chega com a proposta ou tem pessoas que te ajudam?
R: Para esse disco, eu já tinha um ideia na cabeça porque eu tinha uma vontade de fazer uma sequencia de quatro discos, cada um sendo mais ou menos uma estação do ano. O "Lenhador" é um disco de outono, então queria que as fotos fossem de outono e eu dei sorte da minha mulher estar estudando em Nova York e ter um amigo lá fotógrafo. Eu fui visitar ela e acabei chamando o Leonardo Mascaro para fazer as fotos do encarte. A gente estava no lugar certo. Algumas foram no Central Park e outras num lugar que é uma fileira de arvores, numa ilha isolada. Já os vídeos, como eu trabalho um pouco com vídeos tenho a intenção de fazer um vídeo para casa música, que na verdade não é exatamente um clipe, são mais vídeos afetivos  para colocar no YouTube porque por mais que já tenha o vídeo só com o frame, acho legal ter uma representação audiovisual, porque como eu disse, as musicas são histórias.

Outono / Verão

 A última: como você se vê daqui a 5 anos?
R: Mais velho! (risos) Espero ter terminado essa "quadrilogia" porque não dá para lançar um disco a cada estação. As músicas merecem um tempo maior para serem trabalhadas, sem contar que é um gasto de dinheiro, de energia, de tempo. Espero estar com um filho, ou dois e fazendo muita música.



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