SINCRONIZE: Planar

Nos últimos dias quem acompanha nossas redes sociais já sabe que o Sincronize dessa semana apresenta para vocês a banda Planar, que é do Rio de Janeiro e acabou de passar uma temporada em São Paulo, para shows e divulgação do recente álbum deles, o Invasão, que inclusive eles contaram bastante sobre o processo de gravação, escolha do nome, capa.... A entrevista tá super bacana e você confere logo abaixo.


Alan Lopes, Leonardo Braga, Leonardo Villela (Chapolin), Ivan Roichman. | Foto: Cassiano Geraldo

A banda já passou por várias formações e até outro nome. A formação foi mudando e virou Planar a muito tempo atrás coisa de 2005/2006. Todos os integrantes foram saindo e só ficou o Leo, que no colégio conheceu o Chapolin. O Alan e o Ivan  eram do circulo de amigos, então foi um processo natural para eles entrarem. A outra banda se chamava Plano B e sempre que buscavam no Google já existia um monte de banda com o mesmo nome. "Tinha banda gospel, de pagode, de rock... Então a gente precisou mudar de nome e Planar foi uma coisa que apareceu na época e remetia liberdade, coisas que tinham a ver com a identidade da banda porque na hora da composição a gente nunca se prende a algo", completam.

  As músicas de vocês possuem diversos efeitos e uma sonoridade diferente. Como vocês transportam para os shows?

R: Elas tem bastante efeito mas ao mesmo tempo não é um disco que não tem efeitos que não são tocáveis ao vivo, a grande maioria são efeitos de guitarras e de pedais que a gente usa normalmente. Nós quisemos fazer um disco que pudéssemos tocar de maneira mais fiel ao vivo. Há músicas que tem participação do Patrick Laplan no piano e nos teclados e nós não temos um quinto que toque isso nos shows, mas tem vezes que convidamos o Patrick para tocar, como no show de lançamento. A gente é bem viciado em efeitos.

  O que uma pessoa que nunca foi para um show de vocês pode esperar?

Leonardo: Um show muito energético, com diversão que é a base de tudo e a gente acredita no que tá tocando.

Alan: É um show de bastante entrega. As letras do Leonardo são muito pessoais e o que cada um toca chega a ser muito pessoal, quando a gente estava compondo os arranjos do disco nos entregamos para o que a música pedia. É isso que você pode esperar num show do Planar, se divertir vendo o que a banda é.

Leonardo: Acho que resumindo, não tem nada que a gente goste de fazer mais do que ficar em cima do palco os quatro junto. Se a gente conseguir passar pro público a energia que a gente no palco entre a gente é um objetivo alcançado. 

Fotos: Cassiano Geraldo

No último domingo, 9, fomos ao show deles no saudoso Da Leoni e de fato foi possível ver a entrega deles durante o show. Em instantes foi possível concluir que as músicas do álbum conseguem ser tão boas (talvez melhor) ao vivo quanto em estúdio. O show também contou com a participação do Raony, do Medulla na música "Calma". Ao final do show, ficamos com a sensação de que o set foi curto, o que deixou um gosto de "quero mais".

  Sábado (01/11) vocês gravaram “Aqui de Cima” para um projeto acústico. Me expliquem a ideia que tiveram ao montar ele.

Leonardo: Isso foi um projeto porque acaba que na estrada a gente vê cidades, que a gente acha interessantes, volta e meia, uma paisagem que combina com a nossa música. Esse projeto surgiu pra gente tentar pegar as músicas e colocar juntas com as paisagens das cidades que a gente viaja pra tocar. Nós somos uma banda que gosta muito do audiovisual então acreditamos que é uma experiência legal para quem conhecer as músicas de uma roupagem mais intimista, acústica junto de um visual que combina.




Chapolin: É até legal porque a pessoa pode ver um vídeo de uma música que não será trabalhada

Leonardo: E agora estamos expandindo esse formato para shows, esse de sábado no Ibirapuera foi o primeiro. E você não depende muito de pessoas, você pode tocar na rua, sem pressão para que as músicas sejam emendadas e show precisa ser assim, é uma coisa muito mais solta, pode montar o setlist na hora, se alguém pedir uma música a gente toca sem medo de explodir o horário do show... E tem o fator surpresa, que a galera que tá passando, não conhece o som e depois vem falar com a gente pra dizer que gostou.


  Vocês assinaram com a Deck, como foi a entrada de vocês na gravadora? Pretendem fazer algo com gente tipo o Rafael Ramos?

R: Foi uma surpresa. Quando a gente lançou o Invasão pensamos que é nosso primeiro trabalho completo, com trabalho audiovisual, com nossas ideias sintetizadas e não queríamos colocar algum obstáculo na hora de baixar. Na nossa cabeça a gente sempre pensou em fazer disco independente e conversávamos que o lance da Deck era algo legal, mas a quantidade de material que eles recebem é enorme, então lançamos por conta própria, porém aconteceu de uma semana depois de lançarmos, recebemos um telefonema do Rafael nos convidado para fazer parte da gravadora. 


O Invasão é o primeiro disco da banda mas tem um potencial tão grande que nos faz questionar como serão eles daqui a um tempo. Para a escolha do nome, diversos nomes foram postos na mesa e chegou-se a Invasão por duas coisas: a primeira é por conta da música “Nossa Invasão”, que abre o cd. A segunda é que esse disco ser muito confessional, em diversos momentos quem escuta consegue perceber as fases que eles estavam passando e o que estavam pensando quando aquilo aconteceu, então acabou sendo um álbum muito fotográfico. "A gente permitiu que as pessoas entrassem nesses momentos da maneira de cada um, então Invasão casava muito com isso".

  Como foi o processo de gravação?

Leonardo: As gravações foram naturais, gravamos em casa, na casa do Patrick, o produtor do disco e nisso teve uma coisa boa e uma coisa ruim. O lado ruim é que sem ter um relógio, um taxímetro de estúdio, ficamos mais livres, podemos experimentar mais coisas, talvez tenha sido por isso que o disco demorou 1 ano pra ficar pronto porque a gente começava a compor aí começava a gravar as musicas, a gente gravou quatro musicas e ao todo queríamos que o disco tivesse dez, então a gente foi compondo enquanto gravava as quatro que já tinham e no final das contas a gente não queria jogar musica fora. Então acabamos ficando com 11 músicas

Chapolin: Se não tivéssemos essa liberdade, o disco ficaria com 10 músicas. A gente deixou correr muita coisa sem planejamento e surgiram novas oportunidades, como a da música nova.



Leonardo: E gravar em casa foi uma nova experiência porque podemos explorar novas coisas, como por exemplo novos sons de guitarras e sons de amplificadores tipo tirávamos o amplificador de um quarto e colocar no outro e tentava microfonar mais de longe e a gente pôde usar o ambiente mais uma vez a nosso favor. Outra coisa que era legal era que quando uma coisa não estava fluindo, íamos para a cozinha, tomávamos um café e depois voltávamos. O processo fica mais demorado porem mais elaborado.



  A capa do disco foi feita pelo Felipe Guga, como foi o casamento dela com as músicas? Foi criado algum conceito audiovisual ou a escolha foi aleatória? 

R: A gente é muito amigo do Felipe, então sempre quisemos que ele fizesse uma capa para nós porque as artes dele casam muito com a nossa identidade visual, mas queríamos que ele fizesse a capa de um disco e não de um ep, queríamos que ele fizesse colagem e as colagens dele são manuais, ele corta de revistas, jornais... Foi engraçado porque a primeira capa que ele apresentou foi a que ficou, só pedimos para ele aumentar o nome, mudar a fonte. Ele que criou o conceito do disco, ele disse que criou a capa ouvindo o cd em loop, ele colocou todos os elementos das músicas na capa, então foi um prazerzão trabalhar com ele.


Entre as 11 músicas que compõem o cd, escolhemos 3 delas para comentar com a banda: "Nossa Invasão", "Trens" e "Tanto Mar".


"Nossa Invasão" abre o disco e como dito anteriormente, teve grande influência no nome do disco. Mas a importância dela não se limita somente a isso pois nela também é levada a mensagem da história da banda. 


"Trens" foi a música escolhida para ser trabalhada, com clipe já gravado e prestes a ser divulgado, Leo diz: "É difícil escolher musica de trabalho e Trens foi uma das primeiras músicas a ficarem prontas, então a gente se baseou na experiência ao vivo: as pessoas quando ouviram ela pela primeira vez, logo dançavam, batiam os pés e curtiam, então a gente acreditou no sentimentos que as pessoas tinham quando ouviam pela primeira vez. O clipe já foi gravado, o processo de edição foi terminado, foi um processo muito rápido. A gente contou com a direção de um super amigo nosso, o Thiago Calvino, nós iríamos pra São Paulo e ele para o exterior então tivemos que fazer realmente tudo rápido e as coisas fluíram. A gente queria trabalhar com ele desde a gravação do disco, então estamos muito felizes com o resultado"


Tanto Mar já havia sido lançada anteriormente no EP, que inclusive leva o nome da mesma. Então por não ser uma novidade, perguntamos qual a diferença do Planar do primeiro lançamento da música para o Planar de agora. A resposta dada foi que com o tempo adquiriu-se muita experiência, novas influências e o próprio Leo cresceu como compositor. E quanto as composições, a inspiração para elas são uma coisa muito ampla, ela pode aparecer enquanto andasse na rua, assistisse um filme ou lê-se um livro. O Leo escreve muito sobre o que ele viveu e por exemplo neste álbum tem muita coisa que vivemos devido o leque de temas. "Eu acho que as coisas que acontecem na minha vida são todas inspirações para escrever".

Influências

 Ídolo ou pessoa pública que inspire vocês.

Alan: Jimi Hendrix, Mars Volta, rock dos anos 90.
Leonardo: Dave Grohl, Foo Fighters, The Police, Lenine, Metallica, e hoje em dia tenho ouvido muita coisa calma como Chet Faker.
Chapolin: Jim Carrey porque eu sou muito fa de cinema, mas musicalmente o Flea, o baixista do Rage Against The Machine, Sting que pra mim é a melhor voz do rock e o baixista do Incubus.
Ivan: Eu foco mais em um que me fez começar a tocar bateria: o TréCool. Travis Barker, Dave Grohl...

 Se vocês pudessem sair em turnê com uma grande banda, qual seria?

Alan: Vai dar briga hein!
Leonardo: Pelo momento, Arctic Monkeys
Alan: Eu acho que qualquer banda grande serviria porque você adquire grande experiência de backstage, se diverte e conhece muita gente. Então se a banda for grande e seguir uma linha tangente do Planar, a gente pode sair em turnê
Leonardo: Incubus também é uma boa banda
Alan: A gente pode ficar a tarde toda citando bandas (risos)
Chapolin: Nacional, poderia ser Paralamas, Titãs...

 Lugares que gostariam de tocar
Leonardo: Lollapalooza
Alan: Rock in Rio e Coachella, a gente também poderia ficar o dia todo citando

 Como vocês se veem daqui a cinco anos?
R: Desse mesmo jeito, com mais estrutura e com muito material lançado e em turnê com as bandas que a gente citou acima. [risos de todos]

  Mensagem para quem está conhecendo vocês agora
Alan: Busquem conhecimento! [Risos]
Leonardo: Nós somos o Planar, uma banda de rock do Rio de Janeiro, a gente acabou de lançar nosso primeiro disco Invasão e a gente queria que vocês escutassem e compartilhassem o que vocês acharam e o que sentiram com as músicas e a gente gostaria de convida-los para nossos próximos shows. A gente agradece a atenção e esperamos que vocês gostem.

LINKS ÚTEIS
- Site com download gratuito do Invasão

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