Lollapalooza e a epifania musical


Praticamente uma semana após o primeiro dia de Lollapalooza, ainda não havíamos nos pronunciado sobre o festival. Talvez pelo cansaço, talvez pela correria que foi essa semana, talvez pela falta do que falar. Chegar aqui e jogar apenas uma resenha sobre os shows (ou sobre o festival em geral) soa muito vago, primeiro por já existirem inúmeras resenhas por ai. segundo por ser cansativo para quem é nosso leitor. E foi justamente pensando numa forma diferente de falar sobre o festival que venho aqui me pronunciar sobre o meu ponto de vista, isso mesmo, na primeira pessoa. 

Todo ano é a mesma coisa: fico naquela expectativa danada em ver quais bandas serão confirmadas porque não sei vocês mas posso dizer que o Lolla é um festival que abraça totalmente o meu estilo musical, desde as coisas "antigas", os artistas revelações e até mesmo o que escuto de nacional. É tradição 50% do Lolla de Chicago vir pra cá, mas nunca se sabe ao certo o que será cortado e o que virá. Line up divulgado, vendas iniciadas, palcos e horários divulgados chega finalmente o momento de curtir. 


Logo no primeiro dia a caminho do Autódromo recebi a feliz noticia de que uma das atrações que mais queria ver naquela noite havia se enrolado com o voo e infelizmente não chegaria a tempo pro show. Sem dúvidas foi uma pena perder Marina and The Diamonds na escalação, mas festival de um artista só não existe, bola pra frente e é isso. Ao desembarcar na estação de trem Autódromo-Interlagos a cena que todo se repete: sinalizações por todo canto indicando como o pedestre deve se encaminhar ao local, ambulantes e cambistas. Essa sempre é uma das cenas que me faz enxergar a imensidão do evento. Ver um enorme grupo de pessoas na minha frente, caminhando felizes, com camisetas de bandas rumando ao Autódromo me alegrou muito, mas o porque vocês saberão logo mais.


Após uns 15 minutos andando e mais uns 5 de fila, finalmente entrava no lugar que seria palco das minhas experiencias musicais nos próximos dias. De cara, vi que visualmente não houve muita mudança, talvez só o público que estava mais acessível. não demorou muito e já tinha inicio um dos shows que queria ver. Baleia encantou as pessoas que estavam nos redores do palco Skol e falo isso por ter visto diversos "nossa, que voz!", "que banda é essa?". Mesmo sendo suspeita em falar sobre o show da banda, foi um ótimo pontapé inicial o ar lirico e a sincronicidade do grupo. 


Depois de um tempo já me acostumando com as instalações, foi a vez da Banda do Mar encantar. Havia um enorme público os esperando e isso pareceu surpreender até mesmo o Marcelo Camelo que já é acostumado com multidões. A simpatia deles dessa vez não veio só com a Mallu, Camelo interagia diversas vezes com o público e isso também causou comentários como o de "nossa, como ele mudou, tá mais alegre". Um pouco mais longe, foi a vez de caminhar até o palco Ônix que para mim desde o ano passado é o mais lindo devido o declínio que há nele e a sensação que ele proporciona ao ver a multidão. Foi nele que tive a epifania de que meu amor maior é a música e tudo relacionada a ela, como aqueles shows, como aquele palco. Vi que atualmente existem apaixonados por música como eu sim! E se não todos, a maioria estava ali. 


O segundo dia para mim foi reservado para a banda Foster the People, preciso confessar. Mas a busca pelo lugar perfeito não me afetou de jeito nenhum pois pude ver a Scalene reafirmando sua potencia e a do rock nacional de pertinho. Vi que a música latina também é de boa qualidade e ultrapassa barreiras, como foi o caso da banda Molotov que fez um show animadíssimo e ainda arrastou fãs mexicanos para lá. Diferente do que li em diversos sites, a banda Interpol fez um excelente show e soube segurar com perfeição a chuva que caia durante o show. Sobre o show do Foster the People só posso afirmar que como fã foi um dos melhores que já vi e um deles que teve melhor interação com o público. Com direito a escorregão do vocalista, foi um dos shows que mais atraiu gente ao longo do festival e um que a plateia sabia de cabo a rabo o repertorio. 


Mais para noite foi a vez de prestigiar a EDM music, que nos últimos anos tem movidos diversos fãs a eventos gigantescos como o Tomorrowland e na edição brasileira do Lollapalooza não poderia ser diferente. Calvin Harris mostrou ao público um set que não deixou nenhum ser parado. Os jogos de luz, jogos e tudo mais também fizeram parte do show. Steve Aoki creio que tenha sido o injustiçado da edição por ter sido colocado na tenda/palco Perry. A busca pelo show dele foi tanta que a produção fechou o caminho que dava acesso ao local devida a super lotação. E ainda há quem duvide da força da EDM music, não é mesmo? 


Uma semana depois de um dos melhores fins de semana do ano, só me resta saudades e ansiedade para o próximo evento que reunirá apaixonados por música. Infelizmente ainda falta-nos Coachellas e Glastonburys da vida, mas só o fato de termos o Lollapalooza é muito motivador e espero que sirva de exemplo para outros festivais se instalarem aqui.

Todas as fotos são do I Hate Flash, responsável pelas fotos do evento.

Comente com o Facebook:

0 Comentários:

Postar um comentário