Entrevista: Marcelo CIC


Foto: Divulgação

Recentemente, nós do Sincronias tivemos a oportunidade de entrevistar Marcelo CIC, um dos maiores nomes do cenário eletrônico brasileiro. Para quem não o conhece, o DJ Produtor, foi headline do Tomorrowland Brasil, além de tocar em grandes festivais no como EDC, Federal Music, e abrir para grandes nomes internacionais. Na conversa, Marcelo responde sobre seu novo single, fala sobre carreira, Coachella e muito mais! Leia a entrevista a seguir:


Recentemente você lançou um novo single, chamado We Wanna Be Loved e nós gostaríamos de saber como acabou surgindo a parceria com o Alex Staltari nessa música? Você já acompanhava o projeto dele antes? Como você acabou escolhendo ele para o vocal?
M: Quando eu terminei a versão instrumental dessa, precisava de um vocal e as coisas foram caminhando para que a gente fizesse uma parceria junto com o Alex. Então, mandei para ele a versão instrumental e a gente começou a desenvolver a letra online, para que a gente conseguisse chegar no objetivo que queríamos para essa música. Depois fomos ao estúdio, gravamos, ajustamos, e o processo levou em torno de um mês. Logo depois, a música nasceu literalmente. E eu conheci o Alex porque ele já havia me mandado um material dele com algumas músicas e foi bem natural. Inclusive, foi pelo skype que começamos a fazer o trabalho, não foi muito complexo.

Você iniciou sua carreira precocemente aos 12 anos de idade, durante todo esse percurso, quais foram as maiores dificuldades dentro desse cenário musical que você enfrentou?
M: Acho que a maior dificuldade ao você tentar tantos anos uma carreira, é você conseguir acompanhar os ciclos da música eletrônica daqui do nosso país, que não é muito fácil de se conseguir acompanhar. Você tem que ter uma estrutura. Uma equipe trabalhando para você e sempre tem que estar pensando na frente. E realmente você tem que acompanhar os ritmos e ajeitar as coisas para que caso esse ciclo mude, você continue regularmente na sua carreira. O que é muito difícil de conseguir é se adaptar e é o que eu acho ser uma das coisas mais complicadas, e têm pessoas que não conseguem acompanhar.

Você é residente da Laroc Club e Green Valley, um dos melhores clubes do Brasil. Você acha que isso tem alguma influência em questão de aumentar seu público e fazer com que as pessoas conheçam sua música?
M: Ser residente do Green Valley, que é um dos o melhores clube do mundo e da Laroc em São Paulo, é muito importante porque estamos falando de clubes acima de 8 mil pessoas. São clubes muito grandes com projeção internacional e isso é legal porque puxa a sua carreira para cima e te coloca na linha de frente fazendo parte dos melhores eventos, entre os melhores DJs, e me deixa muito feliz! Também sou residente de um festival independente aqui no Brasil chamado Federal Music em Brasília, que todo ano tem uma edição grande e duas menores. São eventos justamente para 30, 20 mil pessoas, que também contratam esses tipos de artistas, como Nicky Romero, Hardwell... E é muito legal fazer parte disso, porque "compõe" sua carreira.

Foto: Tomorrowland Brasil
Qual é a sensação de tocar em grandes festivais de música eletrônica, além de abrir e tocar ao lado de grandes nomes internacionais? Além de ser citado pelo Hardwell em uma entrevista que ele deu em fevereiro, como você se sente com tudo isso?
M: Na verdade eu até fiquei surpreso com essa entrevista do Hardwell que ele me citou (clique aqui para ver). Porque apesar da gente ter uma grande amizade, eu nunca usei nada dele no set, nunca produzi nada para o set dele, o que é muito curioso! E estar fazendo parte do Tomorrowland, Ultra, ou o que seja, é muito importante. Ainda mais quando a gente consegue expandir sua carreira para fora do Brasil, que é uma dificuldade muito grande pra um artista brasileiro. Então, quando você consegue tocar em um festival lá fora, você percebe que está fazendo certo, e que seu trabalho está caminhando direito. DJ hoje em dia não é baseado só na música, existe um time... Existe uma gravadora, existe assessoria de imprensa, existe agência artística, existe tanta coisa, que hoje é necessário você ver que isso faz com que você também saiba aproveitar essas oportunidades. Se hoje estamos aqui nos falando, é porque uma equipe procurou vocês e colocou vocês em contato comigo. Então, hoje a carreira de DJ não é só baseada em quem toca e sim em tudo por trás, como pessoas trabalhando diariamente... Isso faz com que a gente seja mais reconhecido, que a gente consiga atingir nossos objetivos, ir para fora daqui, tocar nos melhores eventos, basicamente isso.

Ultimamente o cenário de música eletrônica ganhou uma grande visibilidade no nosso país com a vinda de grandes festivais, quebrando um pouco o preconceito de quem não conhece muito sobre, tornando-as mais curiosas e receptivas. Qual é a sua opinião sobre isso?
M: O Brasil, apesar de estarmos vivenciando essa crise financeira, é um país de festa. O pessoal gosta desse tipo de evento, gosta de festivais. A música é muito ligada ao Brasil. E nós somos um dos melhores países para fazer esses tipos de eventos, e apesar da crise por aqui que dificulta muito com o dólar, também dificulta que os eventos de fora estejam apostando aqui no Brasil. É muito difícil estarmos contratando DJ de fora, porque com o dólar desse jeito fica inviável de trabalhar. Mas, eu acredito que agora que teremos as Olimpíadas no Rio de Janeiro, depois temos uma quantidade de eventos muito grande como o Ultra, o EDC, e ano que vem está confirmado o Coachella no Brasil, querendo ou não apesar de toda essa crise, o nosso país passa a ser um dos lugares que todo mundo quer ir.

Quais são os djs que você gostaria de fazer uma collab futuramente?
M: Eu gostaria muito de fazer uma música com Steve Angello e com o Martin Garrix. O Steve é mais próximo de mim e ele é muito legal. Então é isso, ainda acho que ainda falta algum degrau para gente estar caminhando e para que a gente consiga também agregar algo na carreira deles. Porque quando a gente faz uma colaboração, é uma coisa muito além. Então, a gente tem que ir crescendo mais, desenvolver mais o meu trabalho para chegar nesses caras na hora certa para propor uma colaboração.

O que você tem a dizer para quem está iniciando ou é interessado nessa carreira de dj produtor?
M: O que eu tenho que falar para essa galera é: pesquisem muito, estudem muito, não é fácil. Às vezes, a pessoa tem aquela visão de DJ aqui no Brasil é só música, mas na verdade não é. Para que você consiga estar tocando nesses eventos, existe um trabalho que você precisa fazer, exige dedicação, muito empenho, sempre dando o melhor para os seus fãs, conselho de familiares... Eu quando comecei os meus familiares eram os meus fãs. O meu fã número um é o meu pai. Eu jamais pensei que teria um milhão de fãs, quinhentos mil... Meu sonho é conquistar cada dia mais e mais, e poder também entregar para eles o melhor. Você tem essa dedicação de dia pós dia, conversar com eles e tudo mais. Então, é se focar em coisas reais, resultados reais.

E essa foi a nossa entrevista com o Marcelo CIC. Espero que tenham gostado e se você ainda não o conhece, tá esperando o quê? Aproveite e acompanhe o trabalho dele e siga suas redes sociais:
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