Entrevista: Lila

Foto: Felipe Raposo
O cenário atual da musica brasileira tem sido berço de uma nova leva de artistas carregada de criatividade, expressão, ousadia, talento e arte em todas as suas formas. O Sincronias teve a oportunidade de entrevistar uma das mais talentosas dessas vozes que vem ganhando notoriedade e ouvidos famintos por qualidade e versatilidade musical. Dona de uma voz encantável e um repertório riquíssimo já adquirido em anos de carreira artística, a amapaense Lila contou pra gente um pouco da sua história e da sua opinião sobre assuntos mais profundos de sua carreira, confira:

Como você se vê como artista e o que você acha que traz de único à arte? Alías, o quão é importante pra você trazer algo único?

Lila: Eu vejo a arte como uma forma de expressão do artista e acho que cada um que se expresse de forma íntegra com a sua verdade vai fazer algo único já que ninguém é igual à ninguém. Dessa forma eu me vejo nessa prática pra encontrar a minha expressão genuína. A importância de fazer algo único pra mim é a importância de se encontrar como artista.

Como e quando surgiu a vontade de fazer música? O que mudou do início até atualmente no que você ouve, consome e cria?

Lila: Desde pequena gosto de cantar, dançar e fazer teatro. Com o passar dos anos percebi que dentro da música poderia fazer os três. Poder usar a voz, o corpo e a interpretação em cima do palco é o que sempre quis. Canto e trabalho com música há mais de dez anos, mas há apenas 3 anos venho me dedicando ao meu trabalho solo autoral e com ele minha relação com a música mudou. Hoje em dia me sinto muito mais livre pra fazer minha música e isso mudou minha escuta e o que eu ouço.



No início você teve apoio da família e amigos pra ser uma artista? Como eles recebem isso atualmente e como você tem sentido a recepção do seu trabalho pelas pessoas em geral?

Lila: Sempre tive apoio dos meus pais, minha família e meus amigos pra cantar e estar no palco. Minha irmã mais velha é cantora também e comecei a fazer aulas de canto e a encarar a música de forma mais profissional por causa dela. A recepção do meu trabalho tem sido ótima. Vira e mexe recebo mensagens das pessoas falando que descobriram meu trabalho e que gostam mais dessa ou daquela música.

Suas musicas misturam diversos estilos musicais de uma maneira ímpar e dão um ótimo resultado! Por que decidiu fazer música dessa forma? Como enxergava a receptividade do público à sua arte?

Lila: Olha, quando comecei a escolher as músicas do EP não sabia muito bem aonde ia dar, né?! Fui escolhendo uma a uma por achar que elas diziam o que eu queria dizer, por gostar das melodias e por sentir que todas tinham algo em comum. Achei quatro músicas lindas que estavam de acordo com o meu momento e no fim acabei compondo mais duas (Strobo e Bicheiro do Meu Samba) pra fechar com 6 o repertório do EP. Não tinha ideia como seria a receptividade do trabalho. Acho que quando você faz um disco você mergulha tão profundo no processo que nem pensa muito no que os outros esperam daquilo.


Quais artistas mais te inspiraram/inspiram?

Lila: Gal Costa é minha musa. Pra além dela amo Elis, Tom, Milton, Caetano, Chico, Ella, Billie, Cartola, Nina Simone, Beyonce, Michael Jackson, Stevie Wonder. E tenho escutado muito também James Blake, Solange, Jonas Sá, MO, Rihanna, Qinho, Matheus VK, Silva e Céu.

Como você enxerga o momento atual da nossa mpb? Como vê o termo "nova mpb" e o que acredita que ela virá abraçar?

Lila: Tenho ouvido muito som legal brasileiro. Sinto que estamos num momento muito fértil de gente jovem e cheia de ideias diferentes. O termo nova MPB é uma tentativa do mercado de encaixar num segmento só o que de novo está se produzindo. Acho que com o passar do tempo será mais fácil de perceber ao que esse termo se refere ou se novos nomes virão pra definir os novos estilos que estão surgindo.

Sobre a cultura nacional, acredita que a nova leva de artistas vem acrescentar nisso? de qual forma?

Lila: Claro! O novo sempre vem e sempre acrescenta. Faz parte de uma cultura saudável preservar as tradições e encorajar o novo. A juventude vem com a missão de atualizar a arte dentro do momento histórico contemporâneo e ser voz daquele instante.

Foto: Ana Alexandrino

Atualmente a internet tem sido um ótimo portal pra artistas novos terem a chance de realizar o seu sonho e divulgar sua arte. Qual foi e tem sido o papel da internet na sua carreira?

Lila: A internet aproxima o artista de seu público. Minha carreira nasceu digital, lancei meu EP apenas na internet, ele não existe no “mundo real”. A partir daí, matérias divulgadas em blogs e sites fizeram ele ir ganhando visibilidade. Fui indicada ao prêmio MultiShow ano passado com artista revelação. O Spotify me escolheu como uma das apostas da plataforma deles esse ano e me levou pra fazer show em outras cidades e com o suporte deles estou vendo meu público crescendo muito. Respondendo sua pergunta: Papel fundamental. ☺

Diante da atual situação política brasileira, entre tantas divergências de opinião e diversas formas novas de ganhar voz, como você enxerga o papel do artista na formação de opinião e nas mudanças sociais?

Lila: A arte é, na minha opinião, das coisas mais poderosas pra mudar um ser humano. Com a arte você é capaz de tocar profundamente uma pessoa e modificá-la de dentro pra fora. Por isso acredito que a arte, por si só, já promove mudanças, mesmo que o artista não esteja verbalizando essa ou outra opinião política.

"Lila" (2015)

E pra finalizar: qual é a sensação de saber que você pode estar na cabeça de várias pessoas em qualquer momento do dia com sua música? Se pudesse sussurrar uma única frase simples no ouvido de todos os seus ouvintes qual seria?

Lila: Gente, nunca pensei nisso! Será que estou na cabeça de várias pessoas? Bom se pudesse sussurrar uma frase seria: acreditem em si mesmos e saibam que vocês são a mudança que vocês querem ver no mundo.

Lila toca na segunda edição do Coala Festival em setembro. Veja mais informações clicando aqui.


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