Sincronize: Lítera

Foto: Divulgação

A coluna Sincronize retorna hoje apresentando a banda Lítera! Formada em plena zona norte da capital Porto Alegre, a banda teve seu início com os membros ainda jovens nos meados de 2000. Tocando sempre em garagens de familiares, foi em 2009 que finalmente saiu o primeiro CD, o "Um Pouco de Cada Dia". Com ele a banda pôde começar a ganhar, somente 9 anos depois, maior notoriedade e respeito na sua região visto que assim eles passaram a receber cachês em seus shows, passaram a viajar pra tocar. A banda de fato começou a ganhar reconhecimento.

Com um nome que remete ao conciso, sem rótulos e ao literal, Lítera aposta na genuinidade, na qualidade e na sonoridade aflorada dona de críticas sociais sutis - porém sérias - atuais mas que possuem suas raízes no passado histórico do Brasil. Vemos isso no "Caso Real", segundo disco da banda que sucede os EP's "A Marquesa" (2013) e o "O Imperador" (2014).


Lançado no final de 2015, o álbum possui 12 músicas e pode ser baixo gratuitamente aqui. A mensagem dele é bem ampla e deve ser entendida por partes. Primeiramente, é preciso conhecer um pouco da peculiaridade de Domitila de Castro Canto e Melo. Numa preocupação com a figura feminina, a banda pegou a história da mulher que em 1813 casou-se mas após sofrer agressões de seu marido, separou-se dele mesmo estando grávida de um filho que tempos depois nasceria natimorto. Em 1822 Domitila conheceu D. Pedro I, primeiro Imperador do Brasil que a fez ser da nobreza, ganhando assim diversos títulos, sendo o Marquesa de Santos o mais famoso. Ela foi conhecida também como a maior adultera da época por manter uma relação com D. Pedro I que era casado.


Surgiu assim a ideia de amor impossível tão levantada pela banda, que concorda que Domitila e D. Pedro viviam um amor impossível principalmente devido a pressão popular. O peso da opinião pública em muito atrapalhou a vida da Marquesa pois enquanto esteve em vida seus feitos foram diminuídos por ter tido um relacionamento com D Pedro. Um questionamento muito levantado no CD é o que fez as pessoas a se importarem tanto com o ocorrido e o fato disso se manter (ainda) muito vivo atualmente.

Acima vemos a capa do álbum "Caso Real", na qual podemos ver uma representação hipotética de Domitila e D. Pedro I e podemos ver claramente ela do lado do nome Lítera, sendo uma forma leve de mostrar logo de cara o apoio que a banda dá a grande figura dela. De maneira sutil e questionadora a banda revive momentos poucos examinados atualmente sobre a história do Brasil, unindo claro com pautas atuais como o feminismo e questões de gêneros. Nesse trabalho o grupo uniu nuances e detalhes que não poupou em referências como o Dia do Fico, na canção "Fico". A amizade entre os membros da banda foi a responsável por tornar possível a longevidade e a renovação sonora deles.

Ouça "Caso Real":

Comente com o Facebook:

0 Comentários:

Postar um comentário