Exclusivo: Braza conversa sobre as questões sociais tratadas em seu álbum de estreia

Foto: Reprodução

Em dezembro, enquanto passavam por São Paulo para realizar shows no interior da capital, o Sincronias conversou com o trio Braza. Na entrevista foi conversado sobre as questões sociais cantadas no álbum homônimo de estreia lançado em março de 2016. Braza é formada por Nícolas Christ, Danilo Cutrim e Vitor Isensee. Confira a seguir a entrevista.

Sincronias: Ouvindo o disco "BRAZA" a gente consegue encontrar os dois temas das redações do ENEM de 2016: a intolerância religiosa e o racismo. Conclui-se então que são dois temas bem atuais. A abordagem desses temas foi algo proposital do tipo "precisamos falar disso" ou foi totalmente natural?

Danilo: Acho que foi proposital. Que bom que esses temas estejam sendo debatidos e que estejam à tona porque são deficiências da evolução humana. O que já se destruiu, se matou e as barbáries que ocorreram por causa da religião e por conta do racismo é inacreditável. Então eu acho que tudo é uma evolução do ser humano, e a gente tem que corrigir os equívocos do passado que geraram muitos danos.

Nicolas: São equívocos do passado que nos cercam até hoje por isso precisamos debater sobre racismo, precisamos debater sobre intolerância religiosa, precisamos nos enxergar no próximo. O cerne é isso. O que importa é a alma. A raça é a raça humana. Infelizmente a gente ainda precisa discutir isso mas felizmente que a gente tem a oportunidade de debater.

Danilo: De um lado a gente tem um papel importante porque atingimos muitas pessoas e muita gente para e leva a sério, para e reflete sobre o que mostramos, sobre o que falamos. Então temos uma função muito importante. Cada um aqui foi bombardeado desde novo em relação a religião certa e a religião errada; ao padrão de beleza ou função de cada etnia na sociedade, então eu acho que individualmente há um trabalho de se enxergar no próximo. Não existe cor, só existe a raça humana.


Sincronias: No disco há muita diversidade musical. Como que vocês conseguiram unir tudo isso e fazer com que houvesse um equilíbrio?

Vitor: A gente é muito eclético e isso fica bem evidente quando se ouve o som do Braza. Acho que a gente tenta trazer uma unidade dentro do ecletismo. O disco é bem plural, tem momentos mais pro reggae e suas vertentes, momentos mais pro rap e também as suas vertentes e também tem momentos mais pro rock que é a nossa escola. Mas a gente tenta amarrar essas diferentes influências numa sonoridade meio que uma identidade que a gente segue buscando. No dia que gente falar "encontramos nossa identidade, acabou. é isso" provavelmente vai ficar sem graça e provavelmente a produção vai cair de qualidade. Então é uma eterna busca de estar tentando criar uma identidade e é o que a gente tenta fazer juntando essas influências. Pegamos tudo isso e jogamos numa panela com o tempero que a gente tenta trazer num ambiente como o brasil, a gente vive num país muito privilegiado no sentido da diversidade


Sincronias: Falando em diversidade, como vocês resolveram pautar a cultura de rua? Como surgiu a iniciativa de falar sobre sound system e até mesmo sobre os bailes funk?

Vitor: A vontade de trazer essa cultura das festas de rua e de fazer uma ode a isso vem muito da nossa essência de querer mostrar do que a gente é. Eu acho que a gente é muito festeiro nesse sentido de celebrar e de alegrar as pessoas e mostrar que não precisa de muito para estar feliz e se divertir.

Em segundo lugar a gente se identifica muito com esse tipo de manifestação cultural, seja carnaval, sound system jamaicanos e os seus equivalentes que no Brasil há vários: o trio elétrico na Bahia, as radiolas maranhenses, as equipes de som do funk carioca. Essa manifestação na rua sempre é espontânea e é muito mais livre na rua do que quando feita em ambientes fechados, ela é mais democrática e mais livre até porque não faz sentido criar uma área vip num evento na rua, sabe? A gente se identifica muito com isso.


Sincronias: Em algumas das músicas de vocês há o verbo "desconstruir". O que é a desconstrução para a banda? O que faz uma pessoa se desconstruir?

Danilo: Desconstruir é uma processo que foi muito forte pra gente porque tivemos um projeto por muitos anos, o Forfun, e quando ele encerrou a gente se viu numa situação de ter que se desconstruir pra poder reafirmar algumas coisas, negar outras ou repensar em todos esses aspectos. A gente tava começando um projeto novo e cada degrauzinho foi pensado de uma maneira muito criteriosa e carinhosa, então de certa forma foi um processo de desconstruir e foi fundamental.

Mas o que ele é de fato é você parar para pensar e tentar olhar o maior numero de perspectivas e analisar onde você se inclina. É um processo muito doloroso mas eu acho que ele é quase que diário. A ética e a moral é pensada e repensada trinta vezes dependendo do ser humano. No nosso caso nos tentamos debater internamente entre a gente. Quando você se desconstrói e se constrói novamente de certa forma você progride, porque é um passo a mais você deu.

Foto: Divulgação

Sincronias: Como que é a relação do Braza com as mídias sociais?

Nicolas: A gente encara a internet como nossa maior parceira de divulgação, por isso a gente busca estreitar os laços dos que curtem o nosso som e também a gente enxerga a internet como uma possibilidade de encontrar pessoas que não conhecem nosso trabalho ainda. Hoje em dia é fundamental para qualquer artistas, inclusive os medalhões que vendem milhares de discos estão se curvando para a internet. É algo necessário.

Danilo: Desde o início foi a nossa alicerce, anossa porta para divulgar. A tendência é cada vez mais crescer, então tratamos com carinho e tentamos sempre estreitar a relação com as midias sociais.

Vitor: Dá para falar um montão sobre isso, daria pra fazer uma entrevista só sobre isso. (risos) Hoje em dia a identidade virtual é um fato, claro que a pessoa primeiro tem a identidade como pessoa física, mas a identidade virtual ela existe. Quando você cria um perfil e diz o que que você curte e o que não curte, você está ali afirmando e negando um monte de coisa, logo criando uma identidade. Com uma banda também não é diferente. É onde a maior parte da informação trafega.


Para mais informações sobre a banda, basta acessar braza.com.br. Para 2017 o trio planeja compor o próximo álbum e seguir com a agenda de shows. Não deixe de conferir a cobertura que fizemos no show de estreia da banda em São Paulo: 

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