Precisamos falar sobre: o preconceito com o cenário eletrônico

Foto: Reprodução | Tomorrowland

Talvez esse post seja diferente do habitual que fazemos aqui no Sincronias. Talvez esse post seja uma forma de esclarecer um pouco o que vemos no dia a dia e que não deveria precisar de um post para ser discutido. Talvez você precise ler esse post.

Ontem a noite me deparei com um comentário nas redes sociais que me intrigou muito. Um comentário infeliz, que eu fiquei com o dedo coçando para não rebater, afinal, é o ponto de vista de alguém e ok, eu respeito. Guardei pra mim e resolvi desabafar aqui, nesse post. Afinal, precisamos falar sobre o preconceito com o cenário eletrônico.

Claro, antes de mais nada, vou resumir como foi o "tal" comentário. Era basicamente que música eletrônica não podia ser considerada como música, por não possuir "instrumento" e que eram para as pessoas pararem de dar "moral" para o mesmo. Já vimos o quão errôneo é isso, certo? Música eletrônica não é só pen drive, minha gente! Estamos em 2017, vamos mudar esse ponto de vista?

Primeiramente, para você que tá por fora ainda disso tudo, vamos explicar resumidamente como funciona a produção de uma música eletrônica? Vamos!

Antes de qualquer coisa, quem produz música eletrônica, NÃO é APENAS um DJ! É um produtor musical, também. Afinal, ele PRODUZ música. Bem óbvio, certo? Muitos desses produtores musicais SÃO músicos ou trabalham com músicos. Pode não ficar muito óbvio para quem não manja, mas sim, há instrumentais MUITAS VEZES em produções eletrônicas. Desde uma guitarra, piano, saxofone, e por aí vai... Um exemplo conhecido que é músico e vimos até no encerramento dos Jogos Olímpicos, é o Kygo! Ele estava tocando ao vivo, durante sua apresentação de "Carry Me" juntamente com a cantora Julia Michaels (clique aqui para conferir). Ou seja, uma produção musical eletrônica, não envolve apenas programas no computador, como também, envolve instrumentos musicais. E muito desses DJs... Adivinha? Eles produzem os cds dos artistas que vocês gostam. Um belo exemplo disso é o Skrillex que ajudou na produção de um dos melhores (ou melhor) álbuns do Justin Bieber, certo?

Obviamente que não podemos comparar com uma banda de rock por aí, que claramente "faz ao vivo" o show. Afinal, eles são uma BANDA. Diferente da função de DJ. Ou seja, cenários diferentes, apresentações diferentes, tudo diferente.

"Então, por que ainda insistem em desmerecer tal cenário por algo nada haver?"

É complicado, mas não é difícil de quebrar esse estereótipo. Mas ok, vamos tentar dar uma recapitulada?
Atualmente, o cenário eletrônico anda em expansão. Principalmente em território brasileiro. Sempre existiu, sempre teve público, mas agora, ganhou uma visibilidade maior... E ao mesmo tempo o preconceito também ficou maior?
Falar de música eletrônica, é relacionar com: drogas, pen drive, barulho. Estereótipos criados e que andam até hoje sendo "sustentados" e "alimentados" pela sociedade.
MAS PERAI, nem todo mundo que gosta de música eletrônica usa drogas ou gosta de drogas. Existem tantos gêneros musicais nos quais as pessoas usam drogas nos shows, mas claro, as pessoas sempre alimentam esse estereótipo na eletrônica. Porque quem gosta de música eletrônica é drogado. Claro.

Eu já fui em diversos shows de eletrônica e festivais. Nunca usei drogas. Nunca precisei usar para "curtir" a vibe assim. E não estou desmerecendo ou diminuindo quem usa ou curte sua "vibe" dessa forma. Mas viu que NÃO é todo mundo?

Festivais comuns de "indie" as pessoas se drogam, festivais de "rock" as pessoas se drogam, shows de "funk" as pessoas se drogam, shows de "reggae" as pessoas se drogam. NÃO É SÓ ELETRÔNICA! Acordem!

Drogas existem em todos os lugares, mas existem pessoas que não usam também. E você, não precisa definir isso pelo estilo musical. Não mesmo.

"Mas e o pen drive?"

Gente, vamos abrir um pouco a mente?

Vocês já viram como funcionam um set ou o "tal" aparelho que os DJs usam para fazer o "show" deles? Não, né?

Pois, bem... Sinto muito em informá-los, mas nesse "tal" aparelho é necessário um pen drive. E nesse tal aparelho, eles fazem as remixagens AO VIVO. Tem DJ que usa notebook, tem alguns que ainda usam o "disco", mas com o avanço da tecnologia, é imprescindível não usar o pen drive. Afinal, eles NÃO possuem banda. Muitas vezes é ele e ele, ele e mais alguém, ele e mais outro alguém, e só.

Óbvio que voltamos naquela parte que: tem DJ que gosta de fazer ao vivo até os instrumentais. Vemos isso com o duo que todo mundo conhece: Disclosure. Eles cantam, eles tocam... Eles SÃO DJs.

"Pra mim, música eletrônica é uma barulheira infinita que nunca muda e é sempre a mesma coisa..."

OPS! Tem algo errado.

Música eletrônica possuem DIVERSAS vertentes. Temos o techno, deep house, psytrance, tropical house, dubstep, house music, prog, disco, future house, entre outras... Sem citar tal do "brazilian bass". Ou seja, não é a mesma coisa. Não é barulheira. Tem vertente para agradar todos os gostos, desde quem curte mais o instrumental, as batidonas para rebolar a bunda ou até pra ficar "chill".

A questão é que até no jornalismo, existem preconceito com tal gênero. Temos de exemplo o post da Jovem Pan, sobre o Dekmantel, que rolou no começo de Fevereiro no Jockey Club. Para quem não sabe, resumidamente, o post falava o quão prejudicial era o evento para os moradores locais. Relacionando como sempre a música eletrônica as drogas, sexo, barulheira e sujeira. Muita sujeira. A Phouse, fez um post resposta muito interessante sobre o assunto, que abordou justamente isso. E vale muito a pena leitura para quem quiser saber mais, é só clicar aqui.

Mas basicamente, é que: tais pensamentos e esterótipos, atrasam muito o cenário no país, atrasam muito as pessoas que alimentam esse tipo de pensamento e também atrasa pra gente que gosta e que precisa fazer post ou debater explicando para as pessoas que não sabem como é o TAL cenário.

Música eletrônica é um estilo musical que merece respeito assim como qualquer outro. Existem gostos e nós respeitamos. Quem curte? Ótimo! Quem não curte? Não desrespeite! É muito aquela questão de: cada um cuida do seu. E se a música eletrônica fosse tão ruim assim, não dominaria a maior parte do line up de grandes festivais como o Lollapalooza e Coachella, por exemplo, ou ganhasse uma grande visibilidade como anda ganhando atualmente.

Respeito é bom, mas música é só amor gente! Não precisa definir que só estilo x é bom, ou que só quem curte de x coisa deve ser considerado com "bom gosto musical". Vamos respeitar e deixar as pessoas curtirem o que quiserem, sem julgar, sem estereotipar. Cada um curte do seu jeito! O importante é aquela sensação que a música traz a você. E drogas? Drogas existe em qualquer lugar, em qualquer estilo musical.

- estereótipos e preconceitos e + amor e shows pra todos os gostos.
Paz.

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