Entrevista: Bruno Martini

Foto: Reprodução/Facebook

Atualmente, uma das grandes revelações brasileira no cenário eletrônico, Bruno Martini anda conquistando uma legião de fãs com seu talento. Após sua popularidade com "Hear Me Now" em colaboração com Alok, Bruno Martini não é apenas o cara de um hit só! Quando ele tinha apenas 16 anos, a Disney Records foi um dos os primeiros a reconhecer o talento de Bruno como multi instrumentalista, assinando com ele nessa idade em seu projeto College 11.

Recentemente, o DJ, músico e produtor, assinou com a gravadora Universal Music com o selo AfterCluv. O que nos mostra que Bruno Martini anda crescendo muito e mostrando para todos o seu potencial na industria musical. E sem dúvidas alguma, Bruno Martini é um dos nomes que ainda vamos ouvir MUITO!

Aproveitando single novo, tivemos a oportunidade de entrevistá-lo e você pode conferir na íntegra a seguir:

Nos últimos tempos, sua vida deve estar a maior correria. Shows, produção musical, hit mundial. Como está sendo a vida de Bruno Martini e como ele faz para conciliar tudo isso?
Bruno Martini: Bom, minha vida sempre foi muito corrida para te falar a verdade. Mesmo porque eu estou me formando agora, sou engenheiro civil, quer dizer... Eu vou ser em dois meses, se tudo der certo. Então, eu estou me formando na faculdade e, juntando tudo é bem complicado, mas acho que tudo vem uma recompensa no final. E claro, eu tô muito feliz com "Hear Me Now" que teve uma repercussão incrível e, a música aqui no Brasil ficou durante 3 meses em primeiro lugar, fora do Brasil a gente ganhou disco de platina na Itália, Noruega, Suécia, e na Europa toda foi muito bem também. Não é fácil, mas acho que a faculdade me ajudou muito a conseguir administrar meu tempo, então, acho que se você consegue administrar bem seu tempo, e saber meio que "programar" o seu dia, você consegue ser muito mais produtivo e consegue organizar muito melhor as coisas que acabam acontecendo e dando certo.

Falar de Bruno Martini e não citar o seu hit "Hear Me Now", é meio impossível, certo? O quão importante foi essa parceria com o Alok na sua carreira e como foi sua reação ao saber da tamanha proporção que o single se transformou mundialmente?
Bruno Martini: Foi muito importante pra mim, foi muito importante para todo mundo! Meu pai trabalha com música e tem uma banda dos anos 90. Então, nós temos um estúdio em São Paulo e eu cresci dentro do estúdio. Trabalhei 5 anos na Disney e já fiz muita coisa, então, o Zeeba já conhecia um pouco do meu trabalho e perguntou se eu podia produzir algumas coisas com ele, no que surgiu uma parceria muito legal, uma das músicas foi a Hear Me Now. Nós fizemos uma versão dela em Indie Rock, bem diferente do que ela se tornou. Então, eu conheci o Alok e mandei umas músicas minhas para ele, e uma delas foi a Hear Me Now e ele falou para a gente terminar junto, trazer ela um pouco mais para o eletrônico e a gente fez. Claro que nós não sabíamos a proporção que isso iria se tornar, mas eu tinha noção. Eu falo por mim e não por eles, mas eu sempre acreditei muito na música, que ela era muito forte, mas você só acredita quando vê quando aquilo realmente acontece, então, ver a música aí e ver que ganhamos disco de platina na Itália, Suécia, Noruega, tocando no mundo inteiro e durante 3 meses em primeiro lugar no Brasil, Spotify mais de 150 milhões de plays, é muito gratificante e me deixa muito feliz em saber que uma produção nossa, uma música que eu pensei com tanto carinho e tem uma mensagem muito forte por trás, conseguiu atingir esse sucesso todo.

E como que é isso para você pessoalmente, sobre o sucesso dessa música em outros países? Quais portas essa música te ajudou a abrir?
Bruno Martini: Ah, com tudo eu acho. Realmente, Hear Me Now mudou a carreira de todo mundo. Acho que tanto do Alok, a minha e a do Zeeba. Ver uma música feita assim no Brasil explorando mundialmente,
é um orgulho muito grande. E, acho que isso além de me ajudar, também ajuda todo mundo do meio eletrônico aqui do Brasil. Às vezes, as pessoas não conseguem enxergar isso mas eu acho que é bom para todo mundo. Uma música ficar em primeiro lugar, ser feita por um brasileiro, durante três meses, foi uma quebra de paradigma aqui no Brasil muito forte. Então, isso é muito bom para todo mundo, mas pra mim, com certeza me ajudou em tudo. Eu assinei com a Universal, e claro que, um dos fatores que chamou também a atenção foi Hear Me Now, não tem como negar porque a música é um sucesso mas eu tenho entre 15 a 20 músicas prontas já no meu estúdio para lançar esse ano e graças a Deus quando eu mostrei para eles, eles também ficaram muito impressionados e acreditaram no meu trabalho, abraçaram meu trabalho e agora eu sou primeiro artista brasileiro a assinar como artista global da Universal e também com a AfterCluv, então, com certeza uma parte disso se deve ao sucesso da música. É muito legal ver que as pessoas e uma gravadora tão influente no mundo todo, estão acreditando e tomando essa briga junto comigo, me dando todo o suporte que eu preciso para lançar as minhas músicas.

Agora, com single novo, como surgiu a ideia para "Living On The Outside"?
Bruno Martini: Living On The Outside é um dos maiores singles da minha vida porque depois de Hear Me Now todo mundo espera uma coisa bem parecida ou o mundo inteiro está fazendo algo diferente, mas eu sempre tomei muitos riscos na minha vida, então, isso não me deixa com medo nenhum e pelo contrário, me motiva muito mais. É uma música que tem um lado rock, que foi como eu iniciei minha carreira. Já que com 8 anos eu comecei a tocar guitarra, porque eu tinha uma banda de rock clássico. Então, eu tentei trazer um pouco desse meu lado do rock e fazer algo diferente. Eu fico muito feliz em ver a cena atual do eletrônico, se tornando e voltando cada vez mais pro meio musical e ver a galera realmente se preocupando com uma mensagem na música, porque o que eu tentei fazer nessa música foi fazer algo diferente do que está acontecendo paralelamente no mundo e eu tô muito curioso de como a música vai andar e muito feliz porque isso me motiva muito. Principalmente, quando eu vou produzir alguma coisa. Eu sempre gosto de me desafiar e não produzir a mesma coisa e Living On The Outside foi um dos maiores desafios que eu tive.


Alok & Bruno Martini

E para "Living On The Outside" você acha que teve alguma influência de algum artista?
Bruno Martini: Ah, com certeza! Eu sou muito eclético, eu escuto de tudo. Eu sou muito fã de rock, r&b, pop, indie rock... Eu acho que não me prendo a nada. Mas Arctic Monkeys, Oasis, The Strokes, sempre fui fã e toquei muito com a banda que eu tive, inclusive. Minhas inspirações também foram eletrônicas, não chegam a ser a super convencionais, mas estão presentes também.

Você disse que tem 15 músicas prontas, então, o que mais você pretende fazer em 2017 na sua carreira?
Bruno Martini: Sim, eu vou lançar essas músicas ainda esse ano e ano que vem. Eu não saio do estúdio, então, eu tenho muita demo lá, vivo produzindo. Pra mim, entrar no estúdio é muito mais que um trabalho, eu enxergo isso como um dever, porque eu preciso estar lá e psicologicamente também é um tempo que eu preciso pra mim. Quando eu entro em estúdio eu esqueço do mundo por um tempo, o que é bom pra mim e me faz bem. Então, tem muita coisa nova que eu tô fazendo. Tem muita coisa já, que inclusive é um dos problemas, que estamos tendo com a gravadora para conseguir selecionar qual vai ser a próxima música. E eu sempre vou para o lado mais difícil, e acho que o próximo single também não vai ser algo que a galera espera.

Recentemente, você tocou na Laroc Club e tocou uma música nova em colaboração com o duo The Juns. O que você pode nos falar sobre esse single e como foi trabalhar como eles?
Bruno Martini: Sim, nós temos uma música juntos e é muito legal, sou muito amigo dos meninos, o Fê e o Caio, que são os The Juns. Então, é muito legal poder trabalhar com amigos assim, eles são caras muito talentosos, eles nitidamente acreditam numa coisa e eu valorizo muito isso, pessoas que "não é porque é popular que eu vou fazer", mas pessoas que realmente têm uma verdade por trás e eu acho que eles levam um poder no estilo de música deles, o que é muito legal. Nós sempre tocamos juntos, então é muito legal trabalhar com eles. O Caio também tem uma banda de Rock, então eu me identifico com ele. São pessoas muito do bem!

Você já abriu para diversos artistas renomados e internacionais, como: Nicky Romero, Kungs, Galantis, etc. Se você pudesse escolher alguém para colaborar, fora eles, quem seria e por quê?
Bruno Martini: Com certeza hoje em dia seria o Calvin Harris, acho que é unanime para todo mundo, ele é um cara que mudou e tá mudando muito. E pra mim ele é um músico e artista de verdade, então, com certeza se eu fosse escolher um eu escolheria ele, mas tem o David Guetta que é uma lenda viva, sempre falo isso, acho que todo mundo da cena eletrônica tinha que agradecer ao David Guetta, porque ele levou o mundo eletrônico para outro nível e com certeza eu super faria uma parceria com ele.

Como você se sente em estar no line up do Rock In Rio e outros festivais super importantes aqui no Brasil?
Bruno Martini: Para mim é uma oportunidade muito grande e eu fico muito feliz em poder tocar nesses festivais, eu vim de uma história bem diferente da maioria dos DJs. Eu comecei a trabalhar na Disney, meu pai já tinha um estúdio e eu sempre toquei paralelamente, eu tocava hip hop, sempre gostei de hip hop e agora, com meu primeiro show profissional tocando eletrônico foi no Tomorrowland Brasil, o que foi muito legal a experiência. E agora, vou estar tocando também no Tomorrowland na Bélgica, no Electric Zoo Brasil, Rock In Rio, Beyond Wonderland no México... Minha vida sempre é um desafio por estar nesses lugares, mas é sempre prazeroso, muito gostoso. Eu acho que quando eu subo no palco, é diferente, eu sempre acabo ficando nervoso e acho que o frio na barriga é sempre legal mas eu me entrego 100%. Então, eu tô muito animado em tocar no Rock In Rio por ser um festival super tradicional no Brasil e é uma marca do nosso país, então, é uma gratificação muito grande.



E você vai estar no Rock In Rio para curtir também ou só tocar? Se for curtir, quem você pretende assistir?
Bruno Martini: Claro! Depende da minha agenda. Mas Justin Timberlake, com certeza! Eu sou muito fã dele e eu estudei muito hip hop, então, eu sei muito do Timbaland, Pharrel, e todos os outros. Inclusive, o álbum dele eu gosto de todos e acho ele um dos artistas mais completos que existe no mundo. Ele é super talentoso e eu estou muito curioso para ver o show dele. Ele já veio para o Brasil, mas com certeza tá na minha lista para assistir!

Se você fosse definir suas músicas em 3 palavras, quais seriam?
Bruno Martini: Acho que seria: paixão, rock n' roll e verdade.

E o que você acha que "diferencia" você para os demais DJs?
Bruno Martini: Bom, essa é uma pergunta muito difícil. Eu não gosto muito de falar de me comparar com outras pessoas, eu acho que cada um tem uma característica e identidade.

E qual seria a sua?
Bruno Martini: Acho que a minha é que eu sou um cara muito transparente, muito verdadeiro, então eu tento transparecer isso na minha música. Porque é muito difícil para mim, tentar ser alguém ou tentar fazer alguma coisa que alguém fez. É óbvio que eu escuto alguma música e tenho referências, não só no eletrônico como no rock n' roll, hip hop ou qualquer outra coisa, mas é muito difícil tentar ser alguém e acho que cada um tem sua personalidade e a minha é que eu gosto muito de rock, gosto muito de passar uma mensagem através da música... Eu acredito muito em música e principalmente no mundo que estamos vivendo agora, as pessoas querem se relacionar com uma letra que passa uma verdade, uma mensagem, querem se identificar com alguma coisa e eu acho que tento trazer isso para minhas músicas. Passar uma mensagem,
algo que vivi, algo que acredito. E têm muitas pessoas dentro e fora do Brasil, que passam pelas mesmas coisas que eu passei, pelos mesmos problemas, então, acho que a vida é muitos altos e baixos e todo mundo tem problema, todo mundo tem coisas boas e eu tento passar isso nas minhas músicas.

E pra finalizar, você consegue pensar em algum segredo, ou algo que você nunca tenha contado em entrevistas
Bruno Martini: Bom, eu sou maluco com estúdio. Eu não sei o que acontece mas toda vez que eu entro lá eu esqueço o mundo literalmente. Foi o que eu falei antes, mas eu fico "nem aí" para horário e nada.
As pessoas acham até que eu sou louco! Mas eu acredito muito no momento. Às vezes, eu estou dentro do estúdio e quando você trabalha com algum artista ou cantor, você vai gravar voz ou alguma coisa do tipo, acho que é muito momentânea. É muito difícil você tentar voltar naquele sentimento que você estava ali na hora, para depois. O que acontece muito nas minhas músicas, vou contar agora até em primeira mão, que vocês vão ver que 90% das minhas 15/20 músicas são com vocais, pois eu gosto de escrever, então, eu escrevo a maioria delas, as outras faço colaboração com alguns artistas. Muitas das minhas músicas, quando eu escuto, sempre é a versão demo que vale a voz. Então, eu já vou gravar a demo decente e muitos falam "ah, mas é só uma demo", e quando você trabalha com o artista ele canta e vamos gravar na semana que vem, dai quando vê, não está igual a demo porque é difícil você voltar com aquela sensação e sentimento que você tava no momento, por isso, quando eu tenho uma inspiração eu tento aproveitar daquilo ao máximo. Então, eu sou meio louco e acabo desmarcando várias coisas, porque eu sei que aquilo é difícil voltar.



Agradecimentos: Universal Music Brasil & Jennifer Mello.

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