ENTREVISTA: TAMY

Foto: Nacho Desirella


A cantora Tamy lançou, recentemente, seu quarto álbum chamado Parador Neptúnia, que trabalha com a exploração de sons latinos. A artista mora no Uruguai a cinco anos e tem trabalhado e explorado a cultura local, criando também o projeto Tamy Invita, onde artistas brasileiros foram até o Uruguai tocar com artistas uruguaios promovendo um grande intercâmbio cultural, batemos um papo com a Tamy que comentou como a música une artistas do mundo inteiro e como essa conexão entre português e espanhol está cada vez maior, brincou até mesmo sobre o fato de estar na hora de oficializar o famoso portunhol. 

Neptúnia é um balneário no Uruguai, conhecido por ser um refúgio de músicos, a cantora também comentou como esse lugar é mágico e o quanto foi importante para produção do álbum, sendo uma grande influencia e também cenário do clipe "Te Parece", primeiro single do Parador Neptúnia.




Você se mudou para o Uruguai alguns anos atrás, como foi o seu primeiro contato com a cultura e a música local?

Tamy: Eu cheguei no Uruguai e não conhecia nada, não conhecia ninguém, não sabia falar espanhol, então foi um processo, pouco a pouco fui me inserindo na história do país, na história de Montevidéu e foi uma grata surpresa que tive porque não conhecia mas passei a conhecer e me apaixonar pela comida, pela música, pelo modo das pessoas, de tratamento, 5 anos é um tempo razoável, é um tempo onde você consegue entender as coisas e rever seu estilo de vida, tem sido muito bonito. Estamos lá a cinco anos e nesse processo eu tentei montar uma banda e em 2014 fizemos um projeto chamado Tamy Invita, fizemos 10 edições, onde eu levo artistas da cena indie do Brasil para tocar com artistas no Uruguai e foram encontros incríveis de artistas do Brasil que não conheciam artistas do Uruguai e também o pessoas do Uruguai que não conheciam esse pessoal mais novo aqui do Brasil, que estão fazendo uma música diferente, uma novidade do Brasil, porque eles conheciam muita música brasileira mas até os anos 90 e depois não chegou tanta coisa lá mas a música não parou no Brasil [...] então foi bastante prazeroso poder organizar esses encontros, tudo isso foi me fazendo amar a cultura, também mostrar um pouco disso para o Brasil e poder mostrar a música brasileira de agora para o Uruguai tem sido importante.


O projeto Tamy Invita e as produções de seu quarto álbum possibilitaram que você trabalhasse com grandes artistas uruguaios, como foi essa experiência? Quais são as maiores lições que aprendeu? 

Tamy: Foi uma troca, mesmo sendo um artista consagrado ou não, acho que quando estamos falando de música e eu proporcionando esses encontros para uma nova geração da música no Brasil com artistas do Uruguai, acho que as lições são, que a música, independente da língua e do lugar, é soberana, une os povos e fortalece laços de amizade, é uma coisa muito poderosa, do bem, então essa é a lição que eu levo e acho que eles também. 

Você tem algum conselho para artistas brasileiros que querem levar a música para outras fronteiras? 

Tamy: Quando você está com essa disposição de ir para outros lugares, uma coisa importante é, por mais que a gente saiba que a música do Brasil é uma das músicas mais lindas do mundo, quando você chega em um lugar que não é o seu lugar tem que estar com o coração aberto para tentar entender, curtir e conhecer o que é novo e o que você vai se deparar naquele momento, não vá dizendo que o seu país é o melhor do mundo, tudo bem, a nossa música [brasileira] é mesmo linda, mas você não deve chegar dizendo isso, se você for, o importante é ir com o coração aberto pra ouvir, se reunir com os artistas, para falar um pouco de você, compor juntos, acho que isso é muito importante, quando rola essa troca é muito mais fácil que o país que está te recebendo, te receba da melhor forma possível, é importante estar aberto para troca mesmo, não pode achar que porque você veio do Brasil, ou porque sua música é conhecida no mundo inteiro ou porque você é rico que você não vai ter que ouvir, quando a gente chega em um lugar novo tem que ter a consciência de que as pessoas querem ser respeitadas e ouvidas assim como nós queremos

O nome do seu novo álbum é Parador Neptúnia, como aconteceu sua descoberta desse local? 

Tamy: Esse é um lugar muito incrível, místico, mágico, bacana demais e um amigo meu que é um compositor, até gravei uma música dele, ele se chama Ernesto Díaz e a música que gravei dele se chama Nana de Agua, ele me convidou para ir e comentou toda a diversidade cultural, disse que dava para ir todo sábado e perguntou se eu gostaria de ir, eu disse que claro, vamos lá e foi um contato muito especial para mim, eu estava começando a conhecer um pouco mais da cultura e da música do Uruguai, foi uma grande oportunidade para mim conhecer e entender mais [...] o clipe de Te Parece também foi gravado lá com pessoas de lá. 

Indicações da Tamy 

A artista comentou também que escuta muito Rubén Rada, artista uruguaio com 35 álbuns, ela gosta de ouvir o mesmo CD várias vezes para realmente compreender cada uma das músicas, outro artista uruguaio que a cantora indica é Eduardo Mateo.
Além de Rada, Tamy citou ter gostado muito do novo álbum da cantora Mallu Magalhães e do Criolo. 


Ouça agora o álbum Parador Neptúnia: 


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